
Revista Fidélitas ׀ Vol.4 (1) ׀ Junio 2023 33
1. Introdução
A ideia do desenvolvimento económico de forma social e ambientalmente suportável está presente em inúmeros debates no
território moçambicano, em especial para a província de Cabo Delgado, Distrito de Montepuez, especicamente no Posto
Administrativo de Namanhumbir (PAN), visto que nos últimos dez anos, vêm-se vericando um aumento signicativo de
grandes projectos de mineração, na qual se explora a turmalina, o rubi, as águas marinhas, as granadas e algumas variedades do
coríndon, (CIP,2018).
Importa também sustentar que a exploração das pedras preciosas e semipreciosas num cenário optimista constitui uma actividade
económica com benefícios tanto para a população local quanto para a economia do País, mas também se desencadeia uma série
de impactos negativos sobre o meio, recongurando novos espaços.
Em Namanhumbir, o início da exploração das pedras preciosas e semipreciosas, especicamente o rubi e a turmalina, aliado
à insuciência de infra-estruturas sociais, como as escolas, as unidades sanitárias, as fontes de água potável, têm conduzido à
crescente degradação do meio e das condições de vida da população humana. Também se associa às denúncias, sobretudo nos
meados de 2011, de casos de depredação de extensas áreas de orestas para a exploração do rubi, bem como o encarecimento do
custo de vida, resultante do aumento da procura de alguns serviços, principalmente a habitação, tanto em Namanhumbir, como
em Montepuez (Bata, 2014).
Portanto aliando ao argumento apresentado no paragrafo acima, pode-se considerar também que as transformações inerentes à
exploração das pedras preciosas e semipreciosas em Namanhumbir são de extrema importância para compreender as relações, as
tramas, os impactos, assim como as modicações socio ambientais espaciais ocorridas com o inicio desta actividade, visto que,
no país, os estudos realizados assumem o caráter económico, ou seja, buscam averiguar os benefícios económicos da exploração
mineira, principalmente dos megaprojectos de mineração, medido pela contribuição deste sector para o PIB e para o Orçamento
Geral do Estado (OGE), supondo que os problemas e/ou as transformações espaciais e ambientais resultantes desta actividade,
cujos impactos já são visíveis em algumas regiões, são menos importantes (Maquenzi e Feijó, 2019).
Em outra análise, considerar que a presença deste e outros empreendimentos de grande dimensão nas zonas rurais, tem
inuenciado em grande medida aos diferentes grupos de interesses e tomadores de decisão a nível regional a reestruturar e
adaptar os novos modelo de Plano Desenvolvimento Territorial que espelha a realidade local e acima de tudo que possibilita a
participação das comunidades nos processos decisórios para o bem-estar socioambietal.
Nesse sentido, a busca de instrumentos que auxiliem o planeamento das zonas rurais, principalmente onde há grandes
empreendimentos – no caso da empresa mineradora Montepuez Ruby Mining no PAN, faz-se necessário para auxiliar a gestão
pública, principalmente a nível distrital, a direccionar a correcta destinação de acções do poder público e os recursos nanceiros
públicos ou privados. Para isso a utilização de indicadores e/ou sistema de indicadores que possibilitem monitorar o grau de
sustentabilidade no meio rural que abrigam e/ou venha a abrigar grandes obras, como grandes projectos de mineração, vai ao
encontro dos esforços nacionais e internacionais para consolidar as ideias e os princípios dispostos na “Agenda 21”, em especial,
na produção de informações para a tomada de decisões.
É diante dos sucessivos cenários socio-ambiental relatados nesta região que foi desenvolvido o presente trabalho de pesquisa
na qual correlacionou metodologias visando mensurar o grau de sustentabilidade socio-ambiental, atrelada a componente
social (Bem- estar Humano), tendo o carácter interdisciplinar, com objectivo principal de avaliar a dinâmica sociambiental do
Distrito de Montepuez no PAN, através da aplicação, testagem e adaptação de um instrumento no contexto rural: Índices de
Sustentabilidade Socio-ambiental-AMBITEC1 no período de 2014-2019. A ferramenta apresentada neste trabalho de pesquisa
pode auxiliar na missão de sistematizar indicadores para ser empregadas para produzir diagnóstico e apontar cenários sobre a
situação do distrito em relação ao desenvolvimento sustentável.
1AMBITEC -Ferramenta para Avaliação de Impacto e Sustentabilidade em Comunidades Tradicionais e da Agricultura de Base
Familiar – (Medeiros et al., 2007; Monteiro, Rodrigues, 2006; Rodrigues et al., 2003a, 2003b; 2005) adotada pela Embrapa para
análises de impacto de tecnologias.