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Abstract
We are currently experiencing some of the biggest changes the world has ever seen. The digital revolution is transforming the way
we interact, how we live, work and spend leisure time. Digital services have become an increasingly ubiquitous part of the lives
of many people around the world. There is no doubt that this brings many benets, but we must also bear in mind that there is an
associated environmental cost, from the manufacture of the necessary infrastructure, the energy used to operate the services and the
disposal of obsolete equipment. With more and more activities online, concern about the environmental impact of digital services
draws attention to the intensity with which the energy network is placed under pressure. This issue of intensive use of the energy grid
has been the subject of investigation for some time, but results have varied from study to study, thus weakening the robustness of any
conclusions drawn from the respective assessments. The objective of this study is to identify some nuances of the inuence of ICTs
on environmental indicators. The methodology adopted was bibliographic and documentary research with an exploratory nature, as
there are still not many quantitative studies of this kind in our country. Preliminary results show that in our case and in other similar
cases, the environmental damage caused by the lack of strategy in the disposal of electronic equipment is even more worrying. It
follows that the policy of the ICT industry and the patterns of its use are highly important, as it does not matter how small or large the
order of effects is. It is suggested that environmental awareness is the key to opening the doors to sustainable practices and leading
to the well-being of Humanity without harming the environment.
Keywords: Digital Services, Sustainable technology, Environmental sustainability, e Waste.
Resumo
Vive-se actualmente algumas das maiores mudanças que o mundo já presenciou. A revolução digital está transformando o modo como
interagimos, como vivemos, trabalhamos e passamos momentos de lazer. Os serviços digitais tornaram-se uma parte cada vez mais
omnipresente da vida de muitas pessoas em todo o mundo. Sem dúvidas que isso traz muitos benefícios, mas também devemos ter em
mente que há um custo ambiental associado, desde o fabrico da infraestrutura necessária, da energia utilizada para operacionalizar os
serviços e no descarte dos equipamentos obsoletos. Com mais e mais actividades online, a preocupação com o impacto ambiental dos
serviços digitais chama a atenção para a intensidade com que a rede energética é solicitada. Esta questão da utilização intensiva da
rede energética tem sido objecto de investigação há algum tempo, mas os resultados têm variado de estudo em estudo, enfraquecendo
assim a robustez de quaisquer conclusões extraídas das respectivas avaliações. O objectivo deste estudo é identicar o efeito da
inuência das TICs sobre os indicadores ambientais. A metodologia adoptada foi a pesquisa bibliográca e documental com carácter
exploratório, já que ainda não existem muitos estudos quantitativos do gênero no país. Resultados preliminares mostram que no caso
deste estudo e em outros semelhantes é ainda mais preocupante o dano ambiental causado pela falta de estratégia no descarte dos
equipamentos electrónicos. Independentemente da perspectiva da ordem dos efeitos, todos podem produzir impactos secundários
positivos ou negativos, dependendo da aplicação das TIC (conhecimento insuciente sobre teletrabalho ou sistemas de navegação
O impacto dos serviços de TIC na
sustentabilidade ambiental
The impact of ICT services on
environmental sustainability
Félix Singo, Autor1
fsingo@mail.com, Universidade Licungo (UL), Sofala, Moçambique
Brígida D’Oliveira, Autor2
bisingo@mail.com, Universidade Licungo (UL), Sofala, Moçambique
Revista Fidélitas, Vol. 5 (2). Julio-Diciembre 2024
http://revistas.udelitas.ac.cr/index.php/revista_delitas
Recibido: 31 marzo 2024. Aprobado: 28 mayo 2024
ISSN: 2215-6070
10.46450/revistadelitas.v5i2.75
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automóvel). Conlui-se que a política da indústria das TIC e os padrões de utilização das TIC são altamente importantes, e nao importa
o quão pequeno ou grande é a ordem dos efeitos. Sugere-se a conscientização ambiental como a chave para abrir as portas das práticas
sustentáveis e para conduzir ao bem-estar da Humanidade sem agredir ao meio ambiente.
Palabras clave: Ensayo, suelo, granulometría, hidrocarburos, sustancias
1. Introdução
Com cada vez mais actividades decorrendo online, a preocupação com o impacto ambiental dos serviços digitais chama a
resposabilidade de todos para o monitoramento da intensidade com que alguns dos recursos naturais e/ou seus derivados são
solicitados. Estimativas sobre a intensidade do uso da rede energética por exemplo, com o m de aferir o seu impacto sobre o
meio ambiente, tem sido objecto de investigação em diferentes partes do mundo há algum tempo, mas os resultados têm variado
de caso de estudo para outro, enfraquecendo dessa forma a consistência de quaisquer conclusões que possam ser tiradas a partir
das suas avaliações (ROCHA, 2007a). Uma das razões para isso é que o sector deTecnologias de Informação e Comunicação
(TIC) não é uma indústria como a siderúrgica ou o sector de transportes, mas uma indústria que mudou radicalmente a forma
como as pessoas e as máquinas se comunicam, os negócios são realizados e alterou as relações de espaço e tempo (ROCHA,
2007a).
As TICs permeiam todos os outros sectores de actividades. Elas têm o carácter de uma tecnologia integrada e integradora, por via
disso, torna-se difícil reetir e estimar o impacto especíco das TIC tanto para fenómenos macroeconómicos assim como para
indicadores ambientais. (Digital Europe, 2003). Em princípio, existem duas abordagens para avaliar os efeitos ambientais das
TIC. Segundo Romm et al. 1999, ABARE 2001, Digital Europe 2003), a abordagem sobre efeitos macroeconómicos distinguem
entre um efeito de crescimento, um efeito estrutural e um efeito de tecnologia. Por outro lado, existe o conceito de efeitos de
primeira, segunda e terceira ordem das TIC sobre o meio ambiente. (FFF 2000, EMPA, IZT 2003), alertam que a segunda
abordagem é a mais adotada pela ciência. De acordo com o projecto Digital Europe (2003), os efeitos ambientais das TIC podem
ser decompostos em:
a. efeito de crescimento: expresso como PIB
b. efeito de mudança estrutural: expresso como VAB Sector / PIB
c. efeito da tecnologia: expresso como efeito ambiental / Sector GVA
Esses efeitos podem ser denidos segundo (FFF 2002) como:
a. Efeitos de primeira ordem: Os impactos e oportunidades criados pela existência física das TIC e dos processos envolvidos.
b. Efeitos de segunda ordem: Os impactos e oportunidades criados pelo uso e aplicação contínuos das TIC.
c. Efeitos de terceira ordem: Os impactos e oportunidades criados pelos efeitos agregados de um grande número de pessoas
que usam as TIC a médio e longo prazo.
Os efeitos de primeira ordem das TIC vêm sendo analisados algum tempo e são abordados a nível político e pela indústria. Os
principais campos analisados são o consumo de energia na produção e uso de TIC e sobretudo na reciclagem e no descarte dos
resíduos resultantes da obsolência dos equipamentos após seu ciclo de vida. Nossa pesquisa centra-se também nos efeitos desta
primeira ordem buscando reetir e alertar sobre novos riscos, advindos da rápida evolução tecnológica e do subsequente curto
ciclo de vida de equipamentos electrónicos que espreitam e ameaçam a sustentabilidade ambiental (FFF 2002). Neste contexto,
a reciclagem pode ser denida como uma separação metódica e sistemática de resíduos como papéis, metais, plásticos, vidros,
entre outros, para a sua posterior transformação e reutilização na fabricação de outros produtos. Portanto a reciclagem trata o
lixo como matéria-prima a ser aproveitada para fazer novos produtos (FFF 2002).
Sustentabilidade Ambiental
O termo sustentabilidade tornou-se rapidamente numa das palavras-chave dos últimos anos. Apesar do seu signicado se ter
estendido para os mais variados temas e grupos de interesse, o cerne do conceito continua a ser a preservação da sociedade e
de tudo o que a rodeia, de forma a podermos deixar para as gerações vindouras um mundo senão melhor, pelo menos igual ao
1 Doutorado (2007) em Informatica Educacional pela Universidade Técnica de Dresden (TUD); Docente-Pesquisador na Universidade Licungo (UL), Moçambique.
E-mail: fsingo@mail.com Moçambique.
2 Doutorada (2007) em Educação e Ciências pela Universidade Técnica de Dresden (TUD); Vice-Reitora Académica na Universidade Licungo (UL), Moçambique.
E-mail: bisingo@mail.com Moçambique.
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que herdámos. A sustentabilidade ambiental também tem esse signicado, porém de maneira mais complexa, por estar ligada
ao meio ambiente e a todas as coisas que o englobam. (Erdmann, Lorenz & Behrendt, Siegfried 2003). Os mesmos autores
armam que um dos maiores desaos para aplicar as medidas de sustentabilidade ambiental é encontrar um equilíbrio entre o
desenvolvimento económico e social de um país e a preservação do meio ambiente. O tripé da sustentabilidade é baseado na
união dos três focos mais afectados: ambiente, sociedade e economia (ibdem).(Figura 1).
Figura 1.Os três pilares da sustentabilidade.
Fonte: adaptado da ENDS
Durante muito tempo se acreditou, erroneamente, que a sustentabilidade estaria apenas relacionada ao meio ambiente, seguindo
esse princípio, vários projectos de preservação da ora e da fauna, de reorestamento, de proteção a espécies ameaçadas à
extinção, dentre outras acções pontuais foram levadas a cabo, o que a mãe natureza agradece.
Porém, hoje o entendimento da sustentabilidade é dividido em três principais pilares: social, económico e ambiental.
Social: Trata-se de todo capital humano que está, directa ou indirectamente, relacionado às actividades desenvolvidas na
sociedade.
Económico: O desenvolvimento económico não deve existir às custas de um desequilíbrio nos ecossistemas a seu redor.
Ambiental: o desenvolvimento ambientalmente correcto se refere a todas as condutas que possuam, incluindo o homem e
que directa ou indirectamente, produza algum impacto no meio ambiente, seja a curto, médio ou longo prazos.
Segundo o Projeto Digital Europe (2003), para que a sustentabilidade se torne uma realidade, é preciso que as três áreas
sejam consideradas em conjunto e as medidas criadas devem abranger todos esses interesses. Do exposto, podemos entender
tecnologia sustentável como sendo a junção e a aplicação de todas as ciências de que o ser humano dispõe, para, que de modo
prioritário, possa dar continuidade, não só de sua, como também das gerações futuras. Cada vez mais são necessárias soluções
e saídas inteligentes para problemas como desastres naturais, lixo, descarte de materiais, falta d’água, poluição, geração de
energia etc.
A tecnologia sustentável é uma das várias formas de utilizar tecnologias sem poluir o meio ambiente. Seja qual for o vínculo que
a denição tomar, permanece sempre a questão, o que ameaça a sustentabilidade do meio ambiente?
Desastres Naturais, o que são desastres naturais?
Desastres naturais como resultado do impacto de um fenómeno natural extremo ou intenso sobre um sistema social, e que causa
sérios danos e prejuízos que excedam a capacidade dos afectados em conviver com o impacto (Globo, 2023).
A gura 2 abaixo mostra os diferentes fenómenos naturais extremos ou intenso, que ocorrerem na natureza, os chamados tipos
de desastres naturais
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Figura 2. Alguns tipos de desastres naturais.
Fonte Adaptado do Dreamstime.com
A questão que se pode aqui colocar em seguida é porquê os desastres naturais ocorrem?
Três visões sobre a ocorrência de desastres (EMPA, IZT et al. 2003).(Figura 3).
(a) Desastres ocorrem por vontade divina.
(b) Desastres ocorrem por falta de infraestruturas.
(c) Desastres ocorrem essencialmente pela vulnerabilidade.
Figura 3. Origem dos desastres naturais.
Fonte: autor
Ainda na mesma senda a outra questão em seguida é o que é a Vulnerabilidade? A etimologia de vulnerável vem do latim
vulnerabilis que signica “que causa lesão” e remete ao antepositivo vulner, o qual indica “ferida” e é semanticamente conexo
com o grego traûma, atos. Logo, constata-se que o sentido de vulnerabilidade tem uma conotação negativa e está relacionado
sempre com perdas.
Factores que potencializam a vulnerabilidade:
Aspectos sócio-económicos
Densidade Populacional
Distribuição de renda
Educação
Aspectos estruturais
Redes de infraestrutura
Tipologia das edicações
Falta de planeamento
Uso e ocupação do solo
Percepção do risco
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Será vulnerabilidade é sinónimo de pobreza? A vulnerabilidade não é uma tautologia da pobreza. A pobreza e a vulnerabilidade
são condições sociais que se reforçam mutuamente. Parcela signicativa da população é vulnerável, apesar de não ser considerada
pobre de acordo com os critérios estabelecidos pela linha da pobreza. Depois desta discussão a questão que se segue é como
reduzir a vulnerabilidade?
Aumentar a resiliência das populações
Identicar áreas de risco e proibir a ocupação
Edicações e infraestrutura preparadas para os perigos
Preparar a população: cultura de prevenção de riscos
Desenvolver sistemas de alerta
Atenção aos novos riscos
Atenção aos novos riscos – Serviços Digitais
Os serviços digitais tornaram-se uma parte cada vez mais omnipresente da vida de muitas pessoas em todo o mundo. Sem
dúvidas que isso traz muitos benefícios para todos nós, mas também devemos ter em mente que há um custo ambiental associado
a todo esse desenvolvimento. Desde o fabrico da infraestrutura necessária, da energia utilizada para operacionalizar os serviços
e no descarte dos equipamentos obsoletos. Estamos a chamar de serviços digitais:
Todos aqueles serviços oferecidos por meios electrónicos, em que todas as informações são transmitidas e acedidas por meio
de uma rede de dados, como a internet. São funções que, antes, só eram possíveis por meios analógicos, como a criação e
envio de documentos ou o contacto entre marca e cliente, por exemplo. O futuro é digital.
Com mais e mais actividades online, a preocupação com o impacto ambiental dos serviços digitais chama a nossa atenção.
A área de informática não era vista tradicionalmente como uma indústria poluidora. Porém, o avanço tecnológico acelerado
encurtou o ciclo de vida dos equipamentos de informática, gerando assim um lixo tecnológico que na maioria das vezes não
está tendo um destino adequado.
Problemas ambientais causados pela tecnologia
Os problemas gerados para o meio ambiente, especialmente no que se refere ao lixo electrónico ou Resíduos de Equipamentos
Eléctricos e Electrónicos, já começam desde sua produção, com o silício, continuam durante o uso e terminam no descarte
inapropriado do equipamento, que, muitas vezes, acontece quanto o equipamento ainda possui condições de uso. O silício é
a segunda substância mais comum na terra, perdendo apenas para o oxigênio, e é um semicondutor natural bastante utilizado
na indústria eletrônica, tanto na construção de placas e circuitos como “chips”. Alguns autores consideram que a sua
industrialização é muito poluente, pois diferentes estudos feitos, mostraram que em um quilo desse material são podem ser
produzidos cinco quilos de e-lixo (ROCHA, 2007a). Ás vezes camos tão perdidos na emoção de desenvolvimento e utilização
de novas tecnologias, que não paramos se quer para examinar cuidadosamente seu efeito sobre o mundo que nos rodeia. Se
todos tivessemos a consciência que a produção de todos esses aparelhos maravilhosos, que vemos sendo lançados diariamente
no mercado comercial e soubessemos o quão trazem efeitos muito indesejável, a poluição da Terra. Ao construir os dispositivos
hoje, que tipicamente têm uma vida de cerca de 2 a 3 anos, reectiriamos não na construção, mas tambem na grande
quantidade de consumo de recursos. Pois saberiamos que para construir um computador normal, são necessários:
3 vezes o seu peso em combustíveis fósseis
Por cada grama de uma “fatia de silicone”, são usados 630 gramas de combustível fóssil
Por 2 gramas de microchips, são necessários 1,5 kg de combustíveis e outros químicos.
Já para não falar nos 30kg de água potável
Um computador, precisa de cerca de 1,5 toneladas de água para ser fabricado
22 kg de químicos, extremamente perigosos e prejudiciais, como chumbo e o mercúrio.
Logicamente, como é sabido, o silicio é um excelente poluente com enorme risco para a saúde dos funcionarios e das
comunidades circunvizinhas. Este cenário não só é maléfícos válido na fabricação da tecnologia, mas também na sua utilização.
Estudos avançados já nos ilucidam por exemplo, que falar ao celular durante seis minutos, pode provocar dor-de-cabeça e
consequentemente a utilização de celular pela criança não é recomendada, pois pode causar má formação encefálico e grande
probabilidade de provocar fadiga e desenvolver o câncro cerebral (ROCHA, 2007a). Portanto, neste contexto, o maior problema
do lixo tecnologico surge por um lado, com a destinação inadequado do produto nal descartado, e por outro, a não existência
da legislação especíca, que orienta o descarte adequado do lixo tecnológico.
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Neste preciso momento, principalmente nos paises em via de desenvolvimento, o lixo tecnológico dos equipamentos informáticos
ou aparelhos são descartados juntamento com o lixo comum, constituindo verdadeiros riscos á saúde dos funcionários e da
sociedade em geral. Reconhecendo os postulatos do ROCHA (2007a), entre outros, que se forem encaminhados aos aterros
sanitários podem contaminar o solo e a água com metais pesados, se forem incinerados contaminam a atmosfera, que reexões
fazemos no que tange a essa questão pertinente? (ROCHA, 2007a).
Dispositivos electrónicos e o seu impacto
Como se pode ver, dispositivos electrónicos são construídos através da utilização de alguns dos recursos mais comuns no nosso
planeta, como por exemplo areia e alguns dos mais raros, como ouro. Estes materiais precisam de ser extraídos do solo do nosso
planeta, nem sempre seguindo as práticas mais ecológicas ou respeitosas do ambiente, especialmente nos países mais pobres
como o nosso. Nestes sítios, químicos extremamente perigosos são usados, como o mercúrio, de maneira a extrair os materiais.
Estes acabam por ser deitados no solo sem qualquer tratamento ou preocupação para com o ambiente ou pelas zonas onde
as pessoas vivem. É verdade que não existem informações áveis acerca do número de computadores ou outros dispositivos
electrónicos no mundo, de hoje ou do passado, mas existe informação acerca do número de dispositivos ligados à internet ao
longo do tempo (Figura 4).
Figura 4. Volume de dispositivos conectados à Internet.
Fonte: Statista 2021
Estes números permitem criar uma referência para o crescimento dos dispositivos electrónicos usados nos últimos anos, que
permite ter uma ideia de quantos recursos, em particular, energia é necessária para manter todos estes dispositivos a funcionar.
e-Lixo
Entende-se como lixo tecnológico os equipamentos de informática obsoletos, danicados e outros que contenham resíduos
ou sobras de dispositivos eletroeletrônicos que são descartadas, fora de uso ou obsoletos, que possam ser reaproveitados ou
ainda que contenha integrada em sua estrutura, elementos químicos nocivos ao meio ambiente e ao ser humano, mas passíveis
de serem reciclados (Macedo, 2009). Portanto, o lixo tecnológico é também conhecido como lixo eletrônico ou e-lixo e como
dito anteriormente, eles são resíduos sólidos que não têm mais utilidade directa, pois são considerados indesejáveis por seus
geradores, o que não signica que devem ser descartados de qualquer forma ou que não serve mais para uso. Uma vez que, a
incorreta destinação dada a este tipo de lixo pode causar sérios problemas ambientais à natureza ou diretamente á saúde dos
seres humanos. O lixo electrónico é um dos grandes desaos da sociedade actual: graças à obsolescência programada e nossa
natureza consumista, há muitos dispositivos electrónicos no lixo causando grandes danos ao meio ambiente. O lixo electrónico
ou Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE) são todos os dispositivos electroelectrónicos, e enquadram-se
nessa denição os computadores e equipamentos de informática como pilhas, baterias de celulares, de lmadoras industriais,
televisores e monitores, microondas, máquinas fotográcas, lâmpadas uorescentes e eletroeletrônicos como rádios, aparelhos
de som e DVD, celulares, mp3 players, tablets a TVs, máquinas lavar louça e roupa, geleiras e etc., que foram descartados por
seus donos. A preocupação ambiental em relação a este novo tipo de lixo, vem crescendo muito nos últimos anos.
A questão da ideia que as pessoas têm sobre o lixo eletrônico, pensando em uma sociedade de consumo, como é Moçambique,
remeteu-nos a seguintes constatção. Numa sociedade de consumo habituada a “comprar, descartar e comprar novamente”,
como é Moçcambique, para além da geração de grande quantidade de lixo eletrônico, infelizmente também acontece o descarte
inadequado destes materiais, o que leva ao acúmulo aumento da poluição ambiental e desperdício de materiais que poderiam
ser reutilizados. Esse cenário mostra-nos, que a sociedade moçambicana ainda está longe do entendimento porque o lixo
eletrônico é um problema para a sua sociedade. Em nossa opinião, a falta de empresas industriais vocacionadas a produção de
equipamentos tecnologicos e electronicos, contribui grandemente para o não conhecimento sobre os metais pesados, que na sua
maioria estão presentes no lixo eletrônico e que representam um risco signicativo para a saúde humana. A exposição a essas
substâncias essenciais, mas toxicas pode causar danos neurológicos, problemas respiratórios, distúrbios hormonais e até doenças
câncerígenas.
Ao serem jogados no lixo comum, as substâncias químicas presentes nos componentes electrónicos, como mercúrio, cádmio,
arsênio, cobre, chumbo e alumínio, penetram no solo e nos lençóis freáticos contaminando plantas e animais por meio da água,
podendo provocar a contaminação da população através da ingestão desses produtos. Es as categorias do e-Lixo:
(a) Grandes equipamentos: geleiras, freezers, máquinas de lavar, fogões, ar condicionados, microondas, grandes TVs, etc.
(b) Pequenos equipamentos e electroportáteis: torradeiras, batedeiras, aspiradores de pó, ventiladores, mixers, secadores de
cabelo, ferramentas eléctricas, calculadoras, câmeras digitais, rádios, etc.
(c) Equipamentos de informática e telefonia: computadores, tablets, notebooks, celulares, impressoras, monitores e outros.
(d) Pilhas e bateria portáteis: pilhas modelos AA, AAA, recarregáveis, baterias portáteis de 9 V, etc.
Buscando soluções
O que pode ser feito para minimizar o impacto no meio ambiente?
Vivemos numa sociedade onde regra geral, a consciência ambiental ainda é fraca. Há três opções recomendadas, embora nem
todas sejam aplicaveis!
(a) Reparar os dispositivos
● Usar os nossos dispositivos aos seus limites
(b) Reciclagem
● Reciclar é uma solução melhor e mais ecológica de tirar metais de produtos existentes.
(c) Devolver ao fabricante
● Diversos fabricantes, como Dell, Apple e HP, oferecem programas de devolução de produtos.
2. Enquadramento metodológico
As TIC têm um carácter de uma tecnologia integrada e integradora, por via disso, torna-se difícil reetir e estimar o impacto
especíco das TIC tanto para fenómenos macroeconómicos assim como para indicadores ambientais. Em princípio, existem
duas abordagens para avaliar os efeitos ambientais das TIC: Efeitos macroeconómicos que distinguem entre um efeito de
crescimento, um efeito estrutural e um efeito de tecnologia e a segunda que distingue entre efeitos de primeira, segunda e
terceira ordem das TIC sobre o meio ambiente. Porém, vale frisar que a segunda abordagem é a mais adotada pela ciência.
Nosso estudo, baseando-se na pesquisa bibliográca e documental com carácter exploratório focou-se nos efeitos de 1ª ordem
das TIC. Os principais campos analisados são o consumo de energia na produção, o uso de TIC, a reciclagem e o descarte dos
resíduos resultantes da obsolência dos equipamentos após seu ciclo de vida (ROCHA, 2007a/b).
Impacto das TICs na economia global: a tecnologia permite que as empresas alcancem um público global, aumentando suas
receitas e criando novos mercados. Além disso, as TICs têm um papel fundamental no desenvolvimento de novos sectores
econômicos, como a economia digital. Aqui vale referenciar os estudos feitos e as experiências inéditas dos autores Galor e
Tsiddon (1997), que por meio de um modelo, conseguiram demonstraram como o avanço tecnológico resulta em crescimento
do PIB, quando se relaciona o progresso tecnológico, á desigualdade salarial, ao capital humano e ao crescimento econômico.
Supõe-se que a economia é perfeitamente competitiva, com surgimento de novos indivíduos a cada período, sendo que os
mesmos vivem por dois períodos somente. No primeiro período, o agente poderia poupar e a vantagem de poupar seria a de
melhorar o seu nível de capital humano e receber uma maior remuneração no futuro. Já no segundo período, o indivíduo se
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aposenta. Os agentes são maximizadores da utilidade e procuram por melhores rendimentos salariais. Assim, quando surge
o progresso tecnológico, os indivíduos mais capacitados (maior nível de capital humano) se deslocam para os sectores mais
avançados tecnologicamente, recebendo em contrapartida maiores salários e dinamizando o incremento da renda da economia
e consequentemente aumentando a produtividade. Esse último trabalho demonstrou o processo microeconômico por trás dos
resultados macroeconômicos exibidos por Borensztein, Gregorio e Lee (1998). Novamente, o capital humano funciona como
alavancador do produto, entretanto, Galor e Tsiddon (1997) mostraram como é esse deslocamento e porque o mesmo ocorre.
A análise da literatura mostra por um lado, que a utilização do método Pooled para mensurar o impacto do progresso tecnológico
sobre o crescimento econômico de um dado país, não só permite analisar o canal que viabilizava esse processo, mas tembém,
concluír que as inovações tecnológicas advindas do exterior tem um efeito mais forte no PIB desse país, quanto maior for o nível
de absorção de tecnologia. Por outro, a análise dos efeitos de multinacionais sobre a transmissão de tecnologia e produtividade
demonstrou como resultado, segundo Xu (2000), que a actividade das multinacionais acarretava signicativamente ganhos
maiores para os países desenvolvidos, em detrimento aos subdesenvolvidos.
3. Resultados
Os resultados da nossa análise mostram o quão a intensidade de transferência tecnológica e o nível de capital humano foi critério crucial
para explicar estas diferenças, uma vez que se reconhecia que a redução de capital humano a longo prazo, causaria um crescimento
ainda menor, pois o aproveitamento da tecnologia mais avançada comparativamente ao pobre seria menor, comprometendo, assim,
o crescimento macroeconomico. Neste contexto, a limitação do capital humano estaria sujeito a um círculo vicioso de crescimento
econômico e contudo, percebe-se que, a correlação entre tecnologia e crescimento do capital humano constiui um importante canal de
transmissão quando existir fundamentalmente, a incorporação e difunsão dos progressos. Esta incorporação e difusão dos progressos
explicita imeditamente a questão da importância do progresso tecnológico e inovação. Mas anal de contas, o que é que isso tem a
ver com a sustentabilidade ambiental? Sem necessariamente querer dar uma resposta concrecta e concisa, é preciso perceber e ter a
consciência de que ao aumentar a produtividade dos meios de produção, reduzir o tempo para se produzir e diversicar bens produzidos,
o progresso tecnológico se torna um propulsor do recrudescimento do produto.
Análise dos resultados fez perceber que um reconhecimento geral, de que as Tecnologias da Informação e Comunicação
contribuem fortemente para a Educação Ambiental como ferramenta capaz de levar informação a todos os públicos. Além disso,
é necessário que os professores percebam que essas tecnologias são suas aliadas no processo de ensino e aprendizagem. Porém
independentemente de os efeitos serem da primeira, segunda e terceira ordem, os impactos e as oportunidades criados pela
existência física das TIC e os processos de descarte inadequados envolvidos podem produzir a longo prazo efeitos nefáusticos
ao meio ambiente. Portanto, os impactos e as oportunidades criados pela aplicação e uso contínuo das TIC e agregados de um
grande número de pessoas que as utilizam pode a médio e longo prazo provocar problemas de preservação do ambiente e da
saúde das comunidades.
4. Considerações Finais
Sustentabilidade e preservação ambiental são temas cada vez mais discutidos no dia a dia. Ultimamente, mais e mais pessoas
estão percebendo que, ainda que individualmente, mudar hábitos e acções com o intuito de reduzir o impacto ambiental e
preservar recursos naturais é uma reação necessária. O incentivo a projectos que envolvem comunidades desfavorecidas e
carentes que reaproveitam equipamentos electronicos como computadores é uma das mais ecientes formas de combater o lixo
tecnológico, pois vários benefícios dai advém de uma só vez. Os computadores podem ser doados por quem não precisa mais,
servindo de suporte para aprendizagem para jovens desfavorecidos, que passam a ter uma ocupação, podendo ser inseridos
no mercado de trabalho. Após a manutenção dos computadores podem ser utilizados pela própria comunidade no acesso à
informação e partilha do conhecimento, promovendo dessa forma a inclusão digital discutida mundialmente. Uma solução mais
perene exigiria uma conjugação de factores, que necessitam de acções de diversas esferas sociais, governamentais, educacionais,
dos agentes usuários, de fabricação, comerciação, de empresas de reciclagem, entre outros. Somente com a conjugação dos
esforços dessas esferas, é possivel uma mudança de atitude de todos esses actores no alcance de soluções que minimizem o
impacto ambiental causado pelo lixo tecnológico.
Concluímos com este trabalho, que com a certeza de que não falta boa vontade para tornar o planeta ecologicamente sustentável
e que tecnologias de baixo impacto podem ser o caminho certo para que alcancemos este resultado, pois como dizia o REIS,
(2006), os aparelhos obsoletos, quando mal geridos se tornam um presente envenenado. Nessa conclusão reexiva, leva-nos de
facto a concordar com o autor REIS, que se refer a um presente envenenado, pois o lixo eletrônico além de contaminar o meio
ambiente e prejudicar a saúde humana, o lixo eletrônico também se congura como problema para países pobres. Estes paises
pobres recebem o lixo electrónico como se fossem produtos de segunda mão, dai a expressão do Reis -presente envenenado-.
Embora todos estejamos cientes da existência de uma lei internacional que proíbe que lixo eletrônico seja levado de um país para
outro, mas alguns países não a respeitam e quem sofre são os paises pobres como Moçambique.
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A conscientização ambiental é a chave para abrir as portas das práticas sustentáveis para conduzir ao bem-estar da Humanidade
sem agredir ao meio ambiente. Deste modo, é fundamental que se tem a importância de cada vez mais conscientizar a sociedade
sobre os riscos que uma pratica equivocada pode causar a si mesma e ao meio ambiente, que por vez são até irreversível.
Portanto, quanto mais seres humanos conscientes sobre o E-lixo existirem, mais crítica será a Humanidade das suas próprias
atitudes, tanto em termos de consumo, quanto ao respectivo descarte adequado. Nesse sentido, esse tipo de resíduo exigirá
não só da humanidade o desenvolvimento de atitudes ambientalmente assertivas e saudáveis, mas também dos comerciantes
vendedores até aos contentores de descartes para a efetivação da logística e de scalização apropriada. Além disso é necessária
uma política itinerante clara para que a sociedade seja sempre envolvida no processo de logística adequada.
Em jeito sugestivo, é óbvio que com a realização desse trabalho pudemos perceber que as Tecnologias da Informação e
Comunicação contribuem fortemente para que os alunos conheçam e se engajem mais nos problemas da Educação Ambiental,
uma vez que as TICs são ferramentas auxiliares nos processos educacionais capazes de levar informação a todos os públicos. Para
além disso, é necessário que os professores possam enxergar as TICs como suas aliadas nos processos de ensino e aprendizagem,
pois agindo dessa forma, é mais provável que essas tecnologias possam contribuir em aulas mais dinâmicas e atrativas para
seus alunos, e por conta disso seja possivel que esses por já possuírem certa anidade com as TICs utilizem-nas nos contextos
escolares. Porém é também papel do professor elucidar ao aluno como a tecnologia pode ser utilizada para mitigar os impactos
ambientais, desenvolvendo neles atitudes ambientalmente acertivas para o descarte dos equipamentos tecnologicos. Os sensores,
satélites e outras tecnologias de monitoramento permitem que os cientistas acompanhem as mudanças ambientais em tempo
real, facilitando a detecção de eventos como desmatamento, poluição do ar, do solo, e o monitoramento de ecossistemas frágeis.
Esses eventos podem ser inuenciadas pelo descarte inapropriado dos residuos tecnologicos.
Para trabalhos futuros, indicamos que analisem como as Tecnologias da Informação e Comunicação enquanto recursos
tecnológicos podem contribuir para a abordagem de conteúdos da Educação Ambiental na prática, pois buscam identicar
Aplicativos que possam apresentar problemas e soluções para a Educação Ambiental.
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